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O USO DE MTA EM
DENTES IMATUROS QUE SOFRERAM TRAUMATISMO DENTÁRIO
Profa. Dra. Maria Leticia
Borges Britto
CD Michelle Bernardes Fonseca
O Agregado de Trióxido Mineral mais
comumente conhecido como MTA, tem sido indicado por suas consideráveis
propriedades físico-químicas e biológicas em diversas situações clínicas -
biocompatível, indutor de dentinogênese, cementogênese e osteogênese,
hidrofílico, radiopaco, ação antimicrobiana e promover selamento marginal
adequado prevenindo infiltrações. Tem sido utilizados em pulpotomias,
capeamentos pulpares diretos, apicificações e apicigêneses, perfurações
radiculares e de furca, fraturas radiculares, retrobturações.
Diante do exposto o presente trabalho tem por objetivo observar seu efeito
sobre dentes traumatizados com rizogênese incompleta, para ajudar no
fechamento apical. Sabe-se que quando um dente é traumatizado, muitas
vezes rompe com o suprimento sanguíneo levando a mortificação da polpa do
elemento dental antes da complementação da rizogênese, ou seja, a formação
dentinária cessa e o crescimento da raiz é interrompido. Com isto o canal
permanece amplo, o ápice radicular aberto e parede dentinária mais fina -
frágil e muitas vezes a raiz se encontra curta. Torna-se necessário o
fechamento apical induzido - a apicificação.
A apicificação é conseguida através da criação de um meio alcalino no
interior do sistema de canais radiculares, propiciando a formação de uma
barreira apical de tecido mineralizado mesmo após a polpa ter perdido a
vitalidade. Para isto é fundamental o esvaziamento e a instrumentação dos
canais para remoção de resíduos e bactérias, seguidos da colocação de um
material indutor de mineralização. Numerosos procedimentos e materiais têm
sido recomendados para se induzir a apicificação e a apicigênese em dentes
imaturos.
Dentre esses podemos citar o MTA também tem sido empregado com sucesso
como tampão apical nos casos de rizogênese incompleta, e, como medicação
também utilizada nas pulpotomias de dentes imaturos, pois "ajuda" na
indução do fechamento apical sem, contudo, promover a instalação de uma
reação inflamatória. O MTA pode ser uma alternativa ao fechamento apical
no caso de dentes traumatizados.
MTA - Ângelus - Angelus® apresenta inúmeras vantagens em relação ao
amálgama e cimentos à base de óxido de zinco e eugenol.
1. Excelente selador marginal que impede a migração bacteriana e
penetração de fluidos tissulares para o interior do canal radicular;
2. Vedamento biológico de perfurações radiculares e de furca pela
indução de formação de cemento perirradicular;
3. Indução de formação de barreira dentinária quando utilizado
sobre a polpa;
4. Utilização em locais com presença de umidade relativa, sem perda
de suas propriedades. Diferentemente de outros materiais que exigem campo
operatório absolutamente seco, normalmente difícil de se obter,
principalmente nos casos de cirurgias paraendodônticas e retrobturação.
Caso Clínico:
V.B, menino com 11 anos de idade,
com dente 21 apresentando cor acinzentada, dor a percussão.
Radiograficamente apresentava Rizogênese Incompleta.
Tratamento Proposto - Apicificação. Foi realizado então o
Isolamento Absoluto; Cirurgia de Acesso; Preparo Químico Cirúrgico ;
Odontometria; Medicação intracanal (MIC) com Iodofórmio +
polietilenoglicol .
A troca foi feita semanalmente até completar 4 trocas de MIC. A cada troca
era realizado a reinstrumentado somente com as duas ultimas limas, para
remoção e troca da medicação. A substância química auxiliar era o EDTA-T .
No mês seguinte abril de 2002 foi realizado o Exame Radiográfico -
Controle. A cada dois meses uma nova tomada radiográfica era tirada para
saber da necessidade da troca da medicação - quando solubilizada - e
verificar o desenvolvimento do ápice.
Após um controle de 4 meses, apareceu uma fístula e novamente o dente foi
instrumentado com troca de medicação intracanal, onde se associou
Hidróxido de cálcio ao Iodofórmio.
Várias trocas foram realizadas de MIC, até que em fevereiro de 2004,
radiograficamente a lesão já não existia mais e havia resistência ao se
"explorar" o ápice com um cone de guta percha n0 80 invertido. Foi trocado
mais uma vez a MIC, e decidiu-se fazer um tampão 30 dias depois com MTA
para vedar melhor o ápice e continuar estimulando o fechamento do mesmo.
A técnica operatória seguiu a
seqüência:
o Isolamento absoluto;
o Remoção do cimento provisório;
o Irrigação / aspiração com EDTA-T;
o Preparo do MTA Angelus - Angelus® (pó + liquido numa placa de
vidro);
o Inserção do cimento com uma porta-amálgama estéril dentro do
canal;
o Adaptação do material aplicado com uma bolinha de algodão
umedecido, no ápice;
o Preenchimento do resto do canal com MIC - iodofórmio - um mês.
o Remoção do MIC e obturação do canal com cimento + cones de guta
percha.
o Controles Radiográficos periódicos.
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ANTES |
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Fig. 1
- Exame Clínico
Inicial |
Fig. 2
- Rizogênese Incompleta |
Fig. 3
- MIC - iodofórmio |
Fig. 4 -
iodofórmio -
trocas por dois anos |
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DEPOIS |
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Fig. 5
- Tampão de MTA + obturação |
Fig. 6
- Controle |
Considerações Finais:
o sucesso clínico está sujeito a um diagnóstico correto, a uma técnica
operatória criteriosa, às condições locais do dente em tratamento, assim
como ao quadro sistêmico do paciente e a sua coloaboração.
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Fonte:
http://www.editorasantos.com.br/canalcientifico/
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