Avaliação “in vitro” da capacidade seladora proporcionada pelo cimento Agregado de Trióxido Mineral- MTA e cimento de Grossman quando utilizados em perfurações na região de furca


Macedo RG 

RESUMO

O Tratamento endodôntico é composto por diversas etapas sendo uma das primeiras a cirurgia de acesso, que nada mais é do que a trepanação do dente propriamente dita. Durante este procedimento operatório quando não executado com cautela e atenção pode causar acidentes, dentre eles se encontra as perfurações no assoalho - região de furca. O presente estudo teve como objetivo a avaliação da capacidade seladora - “in vitro”, proporcionada por alguns cimentos “encarregados” de selar esta perfuração: cimento agregado trióxido mineral (MTA) e o cimento de Grossman. Para o estudo foram utilizados 22 molares humanos inferiores, onde na região de furca foi realizada uma perfuração propositalmente, que foram seladas com os materiais propostos e por cima colocado algodão e cimento provisório.  Utilizou-se a metodologia de infiltração do corante azul de metileno á 1% onde ficaram imersos por 24 horas em temperatura ambiente. Passando este período foi removido o selamento externo e através de “scores” dados a coloração do algodão – foi realizado a estatística da infiltração dos cimentos que obteve análise estatística não significante, ou seja, em ambos os cimentos existem infiltração.

1. INTRODUÇÃO

Um dos objetivos do tratamento odontológico é a manutenção do dente em função no sistema estomatognático, propiciando condições para a sua saúde, e, dentre uma das especialidades que é encarregada desta função é a endodontia que cuida da polpa - tecido ricamente vascularizado - tem por função maior a resposta imunológica às agressões sofridas, principalmente às de origem bacteriana, impedindo ou atrasando a invasão do sistema de canais radiculares, e, conseqüentemente das estruturas de suporte dental, onde facilmente ganhariam a corrente sanguínea e os espaços mais acessíveis da cabeça e do pescoço. Então uma vez a polpa comprometida o dente tem que ser tratado para poder manter toda esta função descrita anteriormente.

A obturação é uma das etapas do tratamento endodôntico que tem como objetivo promover o selamento em todo o sistema de canais radiculares desde a abertura coronária até a porção apical. Os materiais utilizados para este fim devem apresentar propriedades físicas - químicas capazes de assegurar um selamento que dificulte ao máximo a possibilidade de ocorrer micro infiltração e reinfecção, além de serem biocompatíveis com os tecidos periapicais.

Durante os procedimentos operatórios endodônticos quando não executado com cautela e atenção podem causar acidentes, principalmente na cirurgia de acesso que por negligencia ou iatrogenia podem ocorrer perfurações na câmara pulpar tanto nos canais radiculares quanto no assoalho, na região de furca .

Quando ocorrer uma perfuração é de extrema importância a manutenção da assepsia, portanto ela precisa ser selada. A contaminação do osso exposto prejudica a reparação óssea e pode levar a formação de uma lesão infecciosa, Para tanto é necessário fechar essa perfuração com um material de boa biocompatibilidade e de ótimo vedamento periférico na perfuração, seja ela de furca ou de ápice radicular, que sem dúvida deve ser tratada imediatamente, podendo com isso diminuir as chances de ocorrer a formação de uma lesão infecciosa, podendo ate em casos mais graves levar a perda do elemento dental,.

Esse selamento deve ser feito de forma eficaz pois disso dependerá o sucesso do tratamento endodôntico.

Nos últimos tempos tem se dado a preferência ao Agregado de Trióxido Mineral conhecido por MTA, por apresentar propriedades físicas - químicas e biológicas apropriadas em diversas situações clínicas, procede então uma pesquisa para comprovar esta efetividade.

2.  REVISÃO DE LITERATURA

 KUGA e COVRE (1990), pesquisando as infiltrações em obturações de canais radiculares utilizando os cimentos N. Rickert, Endofil e Pró- Canal não encontrou diferenças significantes quanto á infiltração apical do corante de azul de metileno.

TORABINEJAD et al. (1993) realizaram um trabalho semelhante ao anterior mas agora com novo material, o MTA Angelus comprovando eficiência mas ainda não apresentava o resultado esperado.

Em outro trabalho executado por TORABINEJAD. et al. (1994), fizeram uma comparação entre dois tipos de cimentos e demonstraram que o MTA infiltrou significamente menos que o super EBA tanto na presença como na ausência de sangue.  Afirmaram ainda que o MTA pode ser usado em meio úmido devido á suas características hidrofílicas.

Já em 1995 TORABINEJAD et al., através de um experimento parecido com o de KUGA e COVRE (1990), constataram um baixo grau de infiltração do corante rhodamine B para o uso com MTA quando comparado ao cimento super EBA. Segundo relatos do autor, é possível que a umidade presente no local da perfuração reduza a capacidade seladora dos materiais á base de óxido de zinco e eugenol uma vez que o local da perfuração está contaminado com sangue e fluidos teciduais .

ABEDI e INGLE (1995) realizaram uma revisão de literatura do MTA, em que ressaltaram as principais características: biocompatibilidade; capacidade de selamento;  melhor adaptação marginal quando comparado ao amalgama, super EBA e IRM; natureza hidrofílica; fácil manipulação e capacidade de induzir o reparo dos tecidos periradiculares ( cementogênese) .

BATES et al., (1996) avaliaram a capacidade do MTA para selamento efetivo do ápice radicular. Setenta e seis dentes humanos unirradiculares extraidos, foram sanificados, modelados e retrobturados . O estudo demonstrou que o MTA, foi superior ao amálgama e comparável ao Super EBA  na prevenção das microinfiltrações, quando usados  como material para obturação retrograda . As amostras de amálgama mostraram a maior quantidade  de microinfiltrações, medições da média das microinfiltrações  para o grupo  com amálgama variaram de 0,23 a 0,61 ul/min, para o MTA variaram entre 0,06 e 0,18 ul/min e para o Super EBA variaram entre 0,07 e 0,15 ul/min.

ANTONIO e MOURA (1997), avaliaram a capacidade seladora dos cimentos  N -Rickert, Sealapex e Keatc - endo quando imersos no corante azul de metileno. Os resultados não mostraram diferenças significativas embora as menores médias de infiltração foram observadas no grupo do cimento N-Rickert.

Também em 1997 BONETTI FILHO et al. constaram que a capacidade seladora do Endo Fill foi menor que a do Sealapex quando utilizados em perfurações apicais utilizando corante azul de metileno.

MACHADO e FERNANDES (1997) avaliaram vinte e quatro molares humanos que foram perfurados na região de furca e obturados com seis combinações  de materiais a saber: cimento de N-Rickert, cimento de N-Rickert servindo como base a resina composta fotopolimerizável, Cianocrilato de Etila, Resina composta Fotopolimerizável isoladamente e o Hidróxido de Cálcio PA, servindo como base o cimento de Ionômero de Vidro.  Logo após as obturações, os dentes foram imersos no corante azul de metileno por 36 horas sendo mantidos em estufa á 37 % . Após desgaste longitudinal, a área de penetração do corante foi calculada através do uso da computação gráfica. Os resultados mostraram que o cimento de Ionômero de Vidro em conjunto com o Hidróxido de Cálcio exibiu as menores áreas de penetração, sendo seguidas pelo cimento de N-Rickert.

NAKATA et al., (1998) avaliaram a capacidade do MTA e do Amálgama, no selamento de perfurações nas bifurcações de molares humanos extraídos, utilizando  Fusobacterium Nucleatum. O grupo 1 foi reparado com MTA e o grupo 2 com amálgama. Os dentes adicionais sem perfurações serviram de controle negativo. Montou- se um modelo de câmara dupla para infiltração de bactéris aneróbias. Oito das dezoito amostras de amálgama tiveram infiltração, enquanto que nenhuma das dezoito amostras de MTA foram infiltradas. Concluiu-se então que o MTA foi significamente melhor do que o amálgama na prevenção da infiltração  do Fuso Bacterium Nucleatum após a reparação na bifurcação.

SOUZA et al.. (1999) afirmam que a inflamação nos tecidos subjacentes, causadas pelas perfurações, tornam duvidosos os prognósticos do dente envolvido. Nessa revisão analisaram alguns materiais, além do Super EBA, o MTA, para o reparo imediato de perfurações iatrogênicas. O uso do MTA mostrou ser o material mais promissor, porém necessitando de novos estudos clínicos para uma melhor avaliação.

SENNE et al., (1999), utilizando cimentos como o Sealer 26 e Fill canal no selamento de perfurações utilizando o corante azul de metileno constataram que o sealer 26 demonstrou menor grau de infiltração que o Fill Canal.

TORABINEJAD  e CHIVIAN (1999) investigaram  as aplicações clínicas do MTA como potente material alternativo restaurador dos materiais utilizados em Endodontia. Vários estudos in vitro e in vivo, mostraram que o MTA evita a microinfiltração, é biocopmpatível e promove a regeneração dos tecidos originais quando é colocado em contato direto com a polpa dental ou tecidos perirradiculares. Este artigo descreve os procedimentos clínicos na aplicação do MTA na cobertura de polpas com pulpites reversíveis, apicificação, reparação cirúrgica e não cirúrgica de perfurações da raiz , assim como o seu uso como material retrobturador. Muitos materiais foram utilizados para selar as vias de comunicação entre o sistema de canais radiculares e a cavidade bucal, assim como os tecidos perirradiculares. Estes incluem o amálgama, cimentos á base de óxido de zinco e de zinco-eugenol (Grossman). As principais desvantagens incluíram microabsorções, vários graus de toxicidade e sensibilidade á presença de umidade. O MTA tem sido investigado como proposto potencial no selamento de vias de comunicação entre o sistema de canais radiculares  e a superfície externa do dente. Experiências in vitro e in vivo compararam a capacidade e a biocompatibilidade do MTA com as dos outros materiais, e foi demosntrada em estudos de infiltração de corante e bactérias ser maior.

Avaliando a capacidade seladora em oitenta molares inferiores humanos extraídos que tiveram em suas raízes na porção mesial uma perfuração feita com broca de aço nº 2 que após serem impermeabilizadas foram preenchidas com Super EBA, Vidrion Endo, Sealer 26. Foram imediatamente imersos em solução de azul de metileno á 2 % por 48 horas em temperatura ambiente. Após a remoção da impermeabilização, as raízes foram desgastadas no sentido mésio distal, e padrão de infiltração marginal ocorrida entre os materiais obturados e a raiz caracterizado e analisado não foi verificado nenhuma diferença significativa entre os grupo. ( KUGA MC, SANDOLI IH, YAMASHITA JC et al., 2000 )

Afirma PÉCORA (2001), que o selamento hermético é um dos aspectos que gera maior controvérsia na Endodontia, pois faz parte de um ideal ainda não alcançado, sempre em busca de um material que preencha todos os requisitos físico-químicos e biológicos determinado pelo meio científico. A busca por esse objetivo faz com que surjam comparações e dúvidas sobre os diversos cimentos endodôntico existentes no mercado.

MORAES (2002) apresentou dois casos clínicos de perfurações de assoalho da câmara pulpar tratados com cimento de Portland. O acompanhamento clínico radiográfico, 18 meses após mostrou um bom reparo das perfurações.

TONOMARU FILHO et al. (2002) avaliaram cinqüenta dentes humanos unirradiculares extraídos que tiveram seus canais radiculares instrumentados e obturados. Em seguida foi confeccionada uma cavidade na face distal da raiz, simulando perfuração radicular que foi preenchida com os seguintes materiais: Sealapex, Dyract, Vitremer, MTA Angelus. Os dentes foram imersos em solução de azul de metileno á 2% em ambiente á vácuo durante 48 horas e, após esse período, a infiltração marginal foi analisada por meio de escores. Os resultados obtidos foram submetidos a análise estatística e não demonstraram diferenças significantes entre os grupos.

NETO e MORAES (2003) avaliaram a capacidade seladora do MTA Angelus, Super EBA e MCP-c nas perfurações de furca em molares humanos, esse selamento foi analisado pela infiltração do corante rhodamine B 0,2% foram constatados que o cimento MBPc apresentou menores índices de penetração do corante seguido pelo Super EBA e MTA Angelus.

ANDRADE et al., (2005) analisaram o selamento apical entre dois tipos diferentes de cimentos endodônticos o Endofill e o Sealer 26, após terem sidos imersos em azul de metileno, lavados e secos foi constatado que o cimento sealer 26 obteve um melhor selamento apical que o Endofill.

BAEK  et al., (2005) avaliaram a capacidade seladora e de regeneração tecidual dos cimentos super EBA, MTA e Amálgama, para isso utilizou dentes molares de cachorro, após 5 meses foi constatado que o MTA teve a melhor capacidade de selamento como também proporcionou uma boa regeneração do tecido ósseo, seguido pelo super EBA .

MENEZES et al,. (2005), reportaram com um caso clínico em que uma perfuração radicular iatrogênica pôde ser reparada com sucesso através do selamento com MTA. Avaliações mensais foram realizadas e como resultado obteve-se: Após o primeiro mês o paciente relatou que o dente estava assintomático, sem edema e sem sensibilidade á percussão. No sexto mês , nenhuma alteração periodontal foi observada e a mobilidade estava normal. Após o 15º mês, radiografias mostraram adequado selamento da perfuração e reparo da área radiolucida periapical, os tecidos mostravam –se dentro da normalidade. Cirurgiões dentistas e paciente consideram o resultado satisfatório.

RIBEIRO et al., (2005) avaliaram a biocompatibilidade in vitro dos cimentos MTA e do cimento Portland, e os resultados foram absolutamente semelhantes, demonstrando que ambos possuem boa biocompatibilidade em reparação tecidual.

MALTEZOS et al., (2006) realizaram um estudo com a proposta da comparação in vitro do selamento da raiz com o Resilon/Sistema do Epiphany (RES), MTA Pro e do Super-EBA usando um sistema de infiltração bacteriana. Quarenta e cinco dentes extraídos foram instrumentados e as extremidades da raiz foram seccionadas e foram preparadas com ultra-som. Os materiais do teste foram colocados nas lojas preparadas na extremidade da raiz. O Streptococcus salivarius foi introduzido coronalmente e os 4 milímetros apicais imersos no meio de cultura de BHI com o indicador do vermelho de fenol. A infiltração bacteriana foi monitorada cada 24 h por 4 semanas. Todos os controles positivos infiltrados dentro de 24 h; nenhum dos controles negativos infiltrou. Baseado na análise chi quadrado (p < 0.05), O RES e o MTA tiveram infiltração significativamente menor do que super - EBA. Não havia nenhuma diferença estatística entre o RES e o MTA. O RES pode ser uma opção viável como um material de obturação da raiz com bom isolamento cirúrgico.
3.  PROPOSIÇÃO 
O objetivo desse trabalho foi realizar uma comparação da capacidade seladora proporcionada pelo cimento MTA e o cimento de Grossaman em dentes humanos in vitro quando utilizados em perfurações de furca, utilizando - se corante Azul de metileno á 1%.
4.  MATERIAL E MÉTODOS

4.1. Material

-         Autoclave  (Dabi Atlanti – Ribeirão Preto- Sp )

-         Alta rotação (Dabi Atlanti – Ribeirão Preto-SP)

-         Azul de metileno á 1% (Lab. ADV São Paulo - SP)

-         Algodão  (Cremer)

-         Aplicador de Amalga ( SS Whith – Duflex)

-         Baixa rotação (Dabi Atlanti – Ribeirão Preto-SP)

-         Brocas esféricas diamantada n0 2 e nº 3 (KG Sorensen – São Paulo-SP )

-         Broca Endo-Z ( KG Sorensen - São Paulo-SP)

-         Cera Utilidade

-         Cimento de Grossmam  (Fórmula & ação – São Paulo- SP )

-         Cimento MTA (Ângelus – São Paulo-SP)

-         Cimento provisório (Cimpat  - Septodont)

-         Contra ângulo (Dabi Atlanti –São Paulo-SP)

-         Condensador Paiva ( SS Whith- Duflex)

-         Dentes humanos – 22 molares inferiores (Banco de dentes da FO-USP)

-         Estufa ( Dabi Atlanti- Ribeirão Preto- SP )

-         Esmalte incolor

-         Espatula de inserção ( SS Whith- Duflex)

-         Potes de coleta

-         Placa de vidro

-         Soro fisiológico ( Lab. ADV São Paulo - SP)

-         Guta percha

4.2. Métodos

Para a realização deste estudo foram selecionados 22 dentes humanos ao acaso, doados pelo bando de dentes da FOUSP, e após aprovação do comitê de ética da UNICSUL, foi dado inicio a metodologia.

Nos 22 dentes, foi realizada a cirurgia de acesso com brocas esféricas nº 3 e Endo Z, obtendo assim sua forma de conveniência ( trapezoidal).

Na região de furca foi realizada uma perfuração com a broca esférica nº 2. (Fig.s 1,2 e 3)


FIG. 1 – Molar Inferior

 

                

 

 

 

 

                     FIG. 2 – Cirurgia de acesso e perfuração da furca

 

 

 

 

 

 

 

                    FIG.3 – Perfuração dde furca vista apical.

Os 22 dentes foram divididos em três grupos.  1º grupo: dez dentes para o cimento de Grossmam, 2º grupo: 10 dentes pra o cimento MTA e 3º grupo controle negativo composto por dois dentes, que não tiveram sua perfuração selada com nenhum material.

Estes dentes foram esterilizados em autoclave e posteriormente selados com cera utilidade e 2 camadas de esmalte incolor os seus respectivos ápices. (Fig.4)

 

 

 

 

 

 

 

           FIG. 4 – Selamento do ápice

 

Foi ainda acrescentada uma pequena quantidade de cera utilidade na região de furca para correta condensação  do material.

Estas perfurações foram seladas com os materiais propostos – cimento de Grossmam e  cimento MTA Angelus Figs. 5, 6,7,8)

 

 

 

 

 

                   FIGURA. 5 – Cimento MTA Angelus

 

 

 

 

 

             FIGURA. 6 – Colocação do cimento MTA na furca

 

 

 

 

 

 

                     FIGURA  7 – Cimento de Grossmam

 

 

 

 

 

 

 

 

       FIGURA 8 – Colocação do cimento de Grossman na furca.

 

Após a presa desses materiais, foi colocada uma bolinha de algodão estéril em cima dos respectivos materiais seladores e o dente foi fechado com guta percha e deixados imersos no corante azul de metileno á 1%, dentro da estufa em uma temperatura de 37º por 24 horas.

            Após 24 horas, as amostras foram avaliadas para verificar a possível infiltração do corante através da pigmentação do algodão. Para poder se realizar a análise estatística.. ( Fig. 9 e 10 )

 

 

 

 

 

 

            

                 FIGURA  9 -  Dente após 24 imerso no corante azul de metileno

 

                     FIGURA 10 – Algodão corado e seus respectivos Scores.

 

 

 

 

 

5.  RESULTADOS

            Através do presente experimento pode-se observar que dentre as 20 amostras, 16 ocorreram infiltração, o que corresponde a 80% do total analisado.

            De modo geral, dentre os 10 dentes que tiveram sua perfuração fechada com MTA, 7 dentes ocorreram infiltração, no qual 3 deles foram em maiores intensidades (Graf 5.1). Em relação às perfurações fechada com Cimento de Grossman, 9 dentes tiveram infiltração, onde 4 deles foram em maiores intensidades (Graf  5.2).

 

 

 

 

 

 

GRÁFICO 5.1 – Distribuição porcentual de perfuração fechada com MTA.

 

GRAFICO 5.2 – Distribuição porcentual de perfuração fechada com cimento de Grossman.

 

De acordo com a infiltração, os dentes foram submetidos à scores para realização da análise estatística, onde perfurações que não tiveram infiltração representou-se por 0, dentes que tiveram infiltração por 1 e perfuração que verificou-se infiltração em excesso por 2 (Tab 5.1).

TABELA 5.1 – Análise quantitativa em scores

Material utilizado

Número de dentes

Score 0

Score 1

Score 2

 

MTA

 

3

 

4

 

3

 

 

Cimento de Grossman

 

1

 

5

 

4

 

Para análise comparativa entre os 2 materiais, os dados foram submetidos ao teste de normalidade, no qual se verificou tratar de uma distribuição amostral não normal, levando conseguinte ao teste estatístico de Mann-Whitney, por se tratar de fatores independentes comparando somente duas amostras.

            O teste de Mann-Whitney resultou que não houve diferenças estatisticamente significante entre as amostras obtidas no experimento.(α≥ 5%).

6. DISCUSSÃO

As perfurações dentárias, principalmente na região do assoalho da câmara pulpar (região de furca) quer sejam ocasionadas por cárie, processos degenerativos, tais como as reabsorções internas ou externas, ou procedimentos operatórios iatrogênicos, representam uma das situações clínicas de difícil resolução na prática endodôntica convencional. Tais limitações originam-se da dificuldade em obter-se uma adequada reconstituição anatômica e funcional da área perfurada. Para tanto busca - se a seleção de materiais que possibilitem um vedamento eficiente restrinja-se as dimensões da perfuração e apresentem boa biocompatibilidade.

A verificação do comportamento de diversos materiais utilizados no vedamento das perfurações radiculares pode perfeitamente ser utilizada no presente estudo conforme o esquema proposto por KUGA.  et al., (2000).

Muitos materiais foram usados para selar as perfurações e as principais desvantagens incluíram: microabsorções, vários graus de toxidade e sensibilidade á presença de umidade. O Agregado de Trióxido Mineral – MTA - tem sido investigado como potente material alternativo restaurador dos materiais presentemente usados em endodontia, este por sua vez evita microinfiltração, é biocompatível e promove a regeneração dos tecidos originais quando é colocado em contato direto com os tecidos (ABEDI e INGLE., 1995; TORABINEJAD et al., 1996; TORABNEJAD M.  et al.,1999).

Experiências in vivo e in vitro compararam a capacidade de selamento e biocompatibilidade do MTA, Amalgama, Super EBA, Endofill Fill (Grossman)  e Fill canal. A capacidade de selamento do MTA foi demostrada em estudos de infiltração de corantes e bactérias  ser superior á do amálgama, igual ou superior á do Super EBA e inferior ou sem diferença significante entre o Endo Fill e o Fillcanal ( TORABINEJAD. et al., 1993, TORABINEJAD. et al., 1997 BATES et al., 1996).

SILVA e MORAES (2006), avaliaram a capacidade seladora do MTA Angelus, Super EBA e MBP-c nas perfurações de furca em molares humanos (in vitro), esse selamento foi analisado pela infiltração do corante rhodamine B 0,2%  e a análise estatística demostrou que quando utilizados isoladamente ou seja sem a matriz de gesso  o cimento MBP-c apresentou os menores índices de infiltração seguido pelo super EBA, apresentando diferenças estatísticamente significantes seguidos pelo  MTA Angelus.

O principal objetivo deste estudo foi avaliar e comprovar a capacidade seladora entre 2 tipos de cimentos utilizados no tratamento das perfurações de furca, visto que muitas vezes a principal dificuldade nesse tipo de tratamento é encontrar um material que não seja solubilizado em meio aquoso, que é o encontrado na saliva e agressivo.

Procurou introduzir na metodologia todo o necessário para que a situação clínica fosse reproduzida, mas, nem sempre se sabe se na situação in vitro os resultados observados podem  exprimir exatamente o que acontece na intimidade dos tecidos, onde os materiais podem se comportar diferentemente.

Para o presente estudo foram selecionados 22 dentes molares inferiores humanos, onde foi realizada a cirurgia de acesso com toda cautela para que este fator não interferisse nos resultados. Os dentes foram esterilizados para evitar que qualquer proliferação bacteriana pudesse interferir nos resultados mesmo extrabucal.

Depois foi feita a perfuração com uma broca esférica, os ápices dentais foram selados com cera utilidade e duas camadas de esmalte incolor para que não ocorresse infiltração por estes orifícios, simulando o periodonto de sustentação, na região de furca foi colocado cera utilidade para que ambos os cimentos pudessem ser condensados sem extravasar,

Esperou-se o mesmo tempo de presa habitual. Em um dente foi realizado o controle negativo fechando a perfuração e logo em seguida a imersão no corante, e outro respeitando o tempo de presa recomendado pelo fabricante, com isso conseguiu anular a hipótese e comparando as amostras observou que não houve influencia nos resultados.

Estando concluída a eficácia da impermeabilização externa e o tempo de presa dos materiais, prosseguiu o experimento com a colocação de uma bolinha de algodão estéril sobre o cimento MTA e o cimento de Grossmam selando a cavidade com guta percha e uma camada de cimento provisório (Cimpat) .

O estudo executado com testes de infiltração possui diversas variáveis intrínsecas que sugerem interferências nos resultados, inclusive do próprio grupo experimental. Entre elas pode-se destacar a dimensão molecular, o pH da substância marcadora e o tempo de imersão na solução escolhida. Distinguiram-se os grupos apenas pela maior ou menor infiltração, e não pelo quanto a obturação foi permeável pois este não foi o tipo de leitura do resultado do trabalho.

Os dentes foram imersos no corante azul de metileno á 1% e levados á uma estufa com temperatura de 37º, a leitura dos resultados foi feita após 24 horas, segundo KERSTEN (1989) observou que a percolação  ocorrida com o azul de metileno foi similar ao de subprodutos bacterianos. Desta forma acredita-se que o emprego desse corante possa simular a realidade clínica, mas sem acreditar que os resultados in vitro sejam definitivos para testes biológicos.

Dentre as 20 amostras, 16 apresentaram infiltração digna de nota. Os algodões devidamente corados foram submetidos á scores, de 0, 1 e 2, que após o teste de Mann-Whitney detectou que não houve diferença estatisticamente significante.

No que compete a capacidade seladora do MTA TORABINEJAD. et al,(1993) encontrou resultados opostos aos encontrados neste trabalho, pois não visualizaram infiltração alguma  visto que utilizaram o mesmo tipo de corante o azul de metileno mas á uma porcentagem de 2%. Já SILVA e MORAES (2006) quando avaliaram o cimento MTA  no tratamento das perfurações de molares em região de furca obtiveram um resultado que corrobora com os obtidos nesse trabalho levando em consideração que utilizaram o corante rodha -mine B, não tendo diferenças significantes entre os grupos.

Conscientes das limitações de todo experimento in vitro, e das possíveis correlações clínicas, visualiza-se a necessidade de outros métodos de avaliação, para evidenciar o comportamento dos tecidos frente aos materiais seladores de perfurações de furca utilizados neste trabalho, complementando os resultados obtidos.

7. CONCLUSÃO

De acordo com a metodologia aplicada neste trabalho, e, considerando seus resultados pode-se concluir que tanto o cimento MTA quanto o cimento de Grossman apresentaram infiltração sem diferença estatisticamente significante. 

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* INFORMAÇÕES:

Título:Avaliação “in vitro” da capacidade seladora proporcionada pelo cimento Agregado de Trióxido Mineral- MTA e cimento de Grossman quando utilizados em perfurações na região de furca"
Natureza:
Trabalho de Conclusão de Curso de Odontologia
Autor
: Renata Gomes Macedo
Orientador
a: Profa. Dra. Maria Leticia Borges Britto
Co-orientador: Cleber K. Nabeshima
Instituição :
Universidade Cruzeiro do Sul
Ano: 2006

 

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