AVALIAÇÃO IN VITRO DO DESGASTE DENTINÁRIO DOS TERÇOS CERVICAL E MÉDIO PROMOVIDO PELA AÇÃO DE INSTRUMENTOS ROTATÓRIOS NO PREPARO QUÍMICO CIRÚRGICO DE CANAIS RADICULARES


Machado, MLBBL

RESUMO

           O presente estudo teve por objetivo analisar o desgaste da parede dentinária dos terços cervical e médio de canais radiculares, durante o preparo químico-cirúrgico pela técnica cérvico-apical com a utilização dos instrumentos rotatórios: brocas Gates-Glidden, brocas Largo, Profile® Orifice Shapers e Pow-R Coronal Shapers. Para tanto, foram utilizados 56 canais mésio-vestibulares de molares superiores - com curvaturas de 30° -, instrumentados com substâncias químicas auxiliares - Endo-PTC e líquido de Dakin - , com constantes renovações. Para essa análise, foram utilizados as radiografias digitais e o programa computadorizado ImageLab. Os resultados indicaram que houve diferença estatisticamente significante de desgaste de dentina somente entre a instrumentação com as brocas Largo e os instrumentos Profile® Orifice Shapers. Todos os instrumentos rotatórios promoveram aumento da área do canal em seus terços cervical e médio.

SUMMARY

EVALUATION IN VITRO OF THE DENTIN WASTED OF THE CORONAL AND MIDDLE THIRDS BY THE ROTARY  INSTRUMENTS IN THE ROOT CANAL CHEMOMECHANICAL PREPARATIONS 

            The aim of this study is to analyze the dentin wasted in the coronal and middle thirds of the canal by the instruments: Gates-Glidden drills, Largo drills, Profile® Orifice Shapers and Pow-R Coronal Shapers during the root canal chemomecanical preparations by the technical crown-down with rotary system. For so much, they were going used 56 mesial canals of extracted human upper maxilla molars with similar curvatures to 300, were instrumented with chemical substances like Endo-PTC neutralized by sodium hypoclorite with constant renewals. For this analysis were used digital x-ray and computerized program ImageLab.  The results indicated that there was difference significant statistical of dentin wasted only with the Largo drills and the instruments Profile® Orifice Shapers. Those rotary systems promoted increase of the canal area in coronal and middle thirds.

 

1.    INTRODUÇÃO 

A terapia endodôntica tem como uma de suas principais metas a modelagem do canal radicular, transformando o canal anatômico em um canal cirúrgico cujas características de forma são basicamente as mesmas. O aumento do lume ocorre naturalmente durante a instrumentação do canal. A ação conjunta de instrumentos e substâncias químicas auxiliares para a modelagem e a sanificação facilita a realização do preenchimento do canal, isolando o meio interno do meio externo, e proporciona condições adequadas ao processo de cura.

Assim, o desgaste das paredes do canal é uma etapa muito importante da terapia endodôntica pois, além de excisar a dentina sã, irá também cortar a dentina contaminada, sem causar danos às estruturas biológicas que participarão do processo de reparação.

Como a anatomia do dente e, por conseqüência, a anatomia do canal são importantes durante o ato da instrumentação, a ação do instrumento e o contato íntimo deste com as paredes do canal para excisá-la e modelá-la fazem com que o estudo e a criação de novas técnicas e instrumentos sejam continuamente necessários.

Durante a instrumentação do canal, os três terços que o compõem - cervical, médio e apical - têm que estar acessíveis. Para isto o instrumento tem que percorrer todo o canal até um limite chamado comprimento de trabalho.

A tendência do instrumento endodôntico, em qualquer trajeto, é de sempre voltar à sua forma original. As maiores dificuldades da instrumentação estão relacionadas aos canais curvos, cuja parede externa provoca uma pressão maior no instrumento. O alargamento da anticurvatura no terço coronário reduziria o grau de curvatura total do canal; portanto, uma instrumentação cérvico-apical minimizaria a interferência coronária, possibilitando menor grau de distorção e melhor acesso ao terço apical.

Ao longo dos anos, inúmeras técnicas cérvico-apicais têm sido estudadas, e o desempenho de diferentes tipos de instrumentos também tem sido analisado, principalmente no que diz respeito à alteração e ao desgaste das paredes do canal. Ultimamente, existe uma grande tendência ao uso de sistemas e instrumentos rotatórios, que promovem um preparo mais rápido do canal radicular e que, por serem constituídos, na maioria das vezes, de níquel-titânio, apresentam maior flexibilidade, podendo tornar a instrumentação de canais curvos  mais “íntima” e “fiel”.

Contudo, é necessário analisar as conseqüências da utilização desses instrumentos no que se refere à sua ação sobre as paredes do canal, principalmente em seus terços apical e médio. Daí a importância dos estudos que comparam diferentes instrumentos rotatórios com relação ao desgaste de dentina, à deformidade ou à uniformidade dos preparos.  

 

3. PROPOSIÇÃO 

            Considerando que a literatura não elucida completamente a questão, o objetivo do presente trabalho foi avaliar o desgaste das paredes dentinárias – em seus terços cervical e médio - de canais radiculares curvos,  pela ação de instrumentos rotatórios utilizados durante o preparo químico-cirúrgico.

            A mensuração desse desgaste foi realizada por meio de radiografia digital – cujas imagens foram posteriormente tratadas em computador – prévia e posteriormente ao preparo dos canais.

 

4.    MATERIAL E MÉTODOS

4.1. Material

·        Aparelho de raio X –digital (CCX Elitys – Trophy -  Paris -  Fr)

·        Brocas carbides esféricas para alta rotação no 1, 2 e 3 (Moyco Union Broach - York , PA);

·        Brocas Endo Z (Dentsply - Maillefer - Ballaigues, Swiss);

·        Brocas Gates-Glidden no1 e 2 (Moyco Union Broach - York , PA);

·        Brocas Largo no 1 e 2 (Moyco Union Broach - York , PA);

·        Cânulas metálicas para aspiração 40:20 e 40:10 (Ibras – CBO. Ind. Cirúrgica e Óptica S.A., Campinas - SP);

·        Colgadura para slide (Diamount Ind.Brasileira – São Paulo -SP)

·        Contra-ângulo ( Kavo – Blumenau-SC)

·        Endo – PTC (Fórmula & Ação  - Farmácia de Manipulação – São Paulo - SP);

·        Disquete 3,5” – Ø 90 mm HD  High density, 135 tpi, formated for DOS compatible PCs, 1,44 MB (Boederâ  - Germany);

·        Disco de Carburundum (Moore’s – New York, NY);

·        ENDO-Plus – micromotor elétrico (VK DRILLER Equipamentos Elétricos Ltda – São Paulo – SP);

·        GMC Basic SoftWare – versão 7.7 (Programa de estatística - Prof. Dr. Geraldo Maia Campos – FORP –USP- Ribeirão Preto – SP);

·        Hipoclorito de sódio a 0,5% (Solução de Dakin – Nick Farma Química Farmacêutica Ltda – São Paulo - SP);

·        Intermediário metálico para aspiração (Metalúrgica Fava, São Paulo -SP);

·        Iodofórmio (Fórmula & Ação  - Farmácia de Manipulação – São Paulo - SP);

·        Limas tipo K  no10 e no15  (Dentsply – Maillefer -Ballaigues, Swiss);

·        Molares superiores (extraídos por razões diversas, do estoque da Disciplina de Endodontia da FOUSP – São Paulo – SP);

·        Películas dentais (Ekta Plus - Eastman Kodak Company - New York - USA );

·        Polietilenoglicol  400 (Fórmula & Ação  - Farmácia de Manipulação – São Paulo - SP);

·        Pow -R Coronal Shapers .08/60 e .08/45 - 18 mm (Moyco Union Broach - York , PA );

·        Pow -R Coronal Shapers .06/35 e 06/25- 18 mm (Moyco Union Broach - York , PA );

·        Programa Imagelab (Sistema de Processamento e Análise de Imagem – Patologia Geral Departamento de Estomatologia – FOUSP – São Paulo – SP);

·        RVG (RadioVisioGraphy – Trophy – Paris - Fr);

·        Série Maillefer Profileâ  .04/.06 & Orifice Shapers (O.S.3(.06/40), O.S.2(.06/30), .06/25, 06/20, .04/25 - 21mm  (Dentsply – Maillefer - Ballaigues, Swiss);

·        Seringa Plástica de 10 ml (Plastipak – Becton & Dickinson Ind. Cir. Ltda – São Paulo - SP);

·        Seringas de Insulina - 1cc com agulha Ultra -Fine® II curta (30G 5/16”) – descartável (BD – Becton Dickinson Indústrias Cirurgicas Ltda – Curitiba – PR);

·        Soro fisiológico (Solução isotônica de cloreto de sódio a 0,9%. Aster Produtos Médicos Ltda. Sorocaba - S P).

4.2.  Métodos

4.2.1. Preparo dos dentes para a experimentação

Foram utilizados 56 molares superiores que tinham canal mésio- vestibular único. Esses molares foram selecionados tendo como critério a curvatura da raiz mésio-vestibular, que deveria ser de 30°, avaliada pela Técnica de Schneider. Inicialmente, os elementos foram  hidratados em soro fisiológico por período de 72 horas e, logo a seguir, foi realizada a cirurgia de acesso à câmara pulpar preconizada Paiva & Antoniazzi (1991). As raízes palatinas de todos os dentes foram seccionadas com disco de carburundum, para facilitar o acesso às raízes vestibulares (Figura1).

Figura 1 – Amostra de um dente do experimento

Uma lima K no 10 foi introduzida nos canais mesiais apenas para exploração; os dentes foram colocados num recipiente com hipoclorito a 5% por 15 minutos e, logo em seguida, lavados em água corrente para possibilitar a colocação da mistura de iodofórmio – para radiopacidade – dentro dos canais. Essa mistura – injetada com uma seringa de insulina – era constituída por iodofórmio e polietilenoglicol na proporção 4:1. Em seguida, aplicou-se iodofórmio puro, condensado, até o preenchimento total de cada canal. Os dentes foram numerados de 1 a 56 e divididos em 4 grupos de 14 dentes cada, instrumentados conforme item 4.2.4.

4.2.2. Confecção do limitador de área radiográfica dos dentes

Foi implementado um limitador de área radiográfica (Figura 2)  que padronizaria as regiões cervical e média da raiz a serem radiografadas, para que estas mantivessem as mesmas dimensões antes e após o preparo por instrumentos rotatórios.

Esse limitador foi confeccionado com uma moldura para slide e a película de chumbo do filme radiográfico, e tinha uma área de 4mm de abertura para a colocação do dente/raiz a ser radiografado. Os dentes foram colocados sobre o limitador, marcado na pré-instrumentação juntamente com a marca feita na raiz do dente para que estas marcas - linhas delimitadoras - coincidissem na tomada radiográfica realizada após a instrumentação (Figura 3).

4.2.3. Radiovisiografia dos dentes: antes do preparo

Todos os dentes foram radiografados pelo sistema de radiografia digital RadioVisioGrafy (RVG). A técnica utilizada foi a do paralelismo, com distância focal de 20cm e tempo de exposição de 0,12 mAs. O limitador de radiografia foi colocado sobre o sensor do sistema com o dente em posição, como descrito anteriormente. As imagens foram processadas na tela do computador e salvas em disquetes 3,5”, com identificações quanto ao número do dente e do grupo (Figura 4).

 

Figura 4  – Radiovisiografia dos dentes: antes e após o preparo

4.2.4. Grupos Experimentais

G1 – Instrumentação com brocas Gates-Glidden no1 e 2 (Figura 5);


Figura 5– Brocas Gates no 1 e 2 

G2 – Instrumentação com brocas Largo no1 e 2 (Figura 6);


Figura 6 – Brocas Largo no 1 e 2

G3 – Instrumentação com Profileâ.04/.06 & Orifice Shapers (Orifice) (Figura 7);


Figura 7 – Profileâ.04/.06 & Orifice Shapers


G4 – Instrumentação com Pow – R Coronal Shapers .08/60 e .08/45. e 06/35 e 06/25 - 18 mm (Coronal)  (Figura 8 )


Figura 8 – Pow – R Coronal Shapers .08/60,
.08/45, .06/35 e 06/25 - 18 mm
 

Os preparos dos grupos experimentais G1 e G2 - Gates-Glidden e Largo, respectivamente – foram realizados pela técnica cérvico-apical proposta por Machado (1993), com modificações segundo as características de cada grupo. Inicialmente se introduzia, no limite cervical do interior do canal, a broca no1 acoplada ao contra-ângulo em baixa velocidade. A cinemática aplicada era de ligeira pressão apical, movimentos de vaivém e leve pressão em direção à parede externa à curvatura ou zona de resistência. Quando a broca apresentava-se livre no interior do canal, o mesmo procedimento era realizado com a broca no2. Posteriormente, voltava-se ao uso da broca no1 que, com leve pressão apical, era aprofundada facilmente no terço médio, parando no início da curvatura. Sempre, quendo se alternavam as brocas, era realizada uma  intercalação exploratória com lima K no15 a 4mm aquém do comprimento do dente, para que as brocas no1 e 2 tivessem seu uso limitado às porções cervical e média. O procedimento era feito juntamente com a utilização dassubstâncias químicas auxiliares Endo-PTC e líquido de Dakin, com constantes renovações, segundo a técnica preconizada por Paiva & Antoniazzi (1991).

No grupo experimental G3, a instrumentação foi realizada pela técnica crown-down, com as modificações sugeridas pelo fabricante. Primeiramente o canal era explorado com uma lima K, para a localização e a desobstrução dos canais. Feito isto, com o motor numa velocidade de rotação contínua em sentido horário 150–350/min., o canal era instrumentado na seguinte seqüência:

 

A movimentação de entrada e saída do instrumento era constante. O instrumento não foi forçado em direção apical, foi verificado antes de cada utilização, e respeitou-se um período de trabalho de 5 a 10 segundos, no máximo, para cada instrumento. Um Profileâ não deve ser forçado para o interior do canal quando o avanço for difícil – deve ser retirado, passando-se ao instrumento seguinte. Ao longo de toda a seqüência de instrumentação, os canais sofreram renovações constantes da substância química auxiliar, como nos grupos 1 e 2.

No G4 utilizou-se a instrumentação cérvico–apical, com as modificações preconizadas pelo fabricante. Primeiramente o canal foi explorado com uma lima K no10, para determinar a sua localização. A seguir, com o motor numa velocidade de rotação contínua em sentido horário  150–350/min. e torque controlado, o canal foi instrumentado da seguinte maneira:

Pow R– CS .08/60 18 mm (haste azul);

Pow R– CS .08/45 18 mm (haste prateada);

Pow R– CS .06/35 18 mm (haste verde);

Pow R– CS .06/25 18 mm (haste vermelha);

Checagem de patência com lima K no10;

Determinação do Comprimento de Trabalho preliminar;

Pow R .04/45 21 mm (haste prateada), no terço médio do canal.

 

Nesse grupo foram adotados os mesmos cuidados do G3 quanto a: movimentação do instrumento, mínima pressão apical, verificação do instrumento com relação a alterações; período de trabalho de cada um de aproximadamente 4 segundos - ou até que se sentisse resistência. Ao longo de toda a seqüência de instrumentação também foram utilizadas substâncias químicas auxiliares, com constantes renovações.

O motor utilizado em todos os grupos foi o Driller, sempre manipulado pelo mesmo operador, que guardava um intervalo de 10 minutos entre a instrumentação de cada canal.

4.2.5. Nova radiovisiografia: pós- preparo cervical e médio

Para possibilitar a verificação da anatomia pós-preparo do canal, em seus terços cervical e médio, foi introduzida novamente a mistura de iodofórmio. Com o auxílio do “molde” e das marcas, os dentes foram posicionados no mesmo lugar para nova digitalização, seguindo os passos anteriormente descritos (Figura 4).

4.2.6. Leitura das imagens no computador - Programa  ImageLab*

A seqüência de imagens registradas nos disquetes foi

a)     antes do preparo;

b)     depois do preparo.

As imagens foram numeradas 1 a 112, e importadas dos disquetes para o computador para que, por meio do programa ImageLab, fossem calculadas as áreas dos terços já mencionados antes e após o preparo.

O Programa funciona da seguinte maneira:

1.      Ao se abrir a tela inicial, deve-se apertar o comando digitalização;

2.      Importam-se as imagens dos disquetes para essa tela; regula-se o tamanho da imagem em 3:1(Figura 9)


Figura 9  – Tela do ImageLab com as imagens dos disquetes importadas: antes e depois da instrumentação

 

3.         Através dos botões  de comando:

-     Selecionar região: a região contrastada pelo iodofórmio é marcada (Figura 10);


Figura 10  – A região contrastada pelo iodofórmio é marcada

-     Cálculo de regiões: uma vez a figura toda contornada, deve-se apertar o botão de cálculo para o preenchimento imediato da região delimitada com cor azul (Figura 11);


Figura 11  – Cálculos de regiões – área preenchida por azul

-     Planilha de cálculos: clicando em cima da área pintada com o botão direito do mouse, uma tabela surgirá na tela do programa. Nessa tabela são observadas as medidas da área encontrada - em pixels -, dentre outras medidas.  (Figura 12 e 13)


Figura 12 - Cálculos da área antes da instrumentação


Figura 13 - Cálculos da área pós-instrumentação

4.      Registro em pixels e confeção das áreas pré e pós preparo encontradas, para confecção das Tabelas. 

4.2.7. Análise Estatística**

Os dados das Tabelas sofreram o adequado tratamento estatístico, com nível de significância de a=0,05.

 

5.    RESULTADOS

Os valores originais - em pixels - da área demarcada, que corresponde ao canal, limitada pelas paredes dentinárias dos terços cervical e médio de cada espécime antes do preparo endodôntico, encontram-se na Tabela Ap.1 do Apêndice. Já na Tabela Ap.2 estão os valores das mesmas áreas após o emprego do preparo químico-cirúrgico pelos instrumentos Gates-Glidden, Largo, Profile® Orifice Shapers e Pow-R Coronal Shapers.

A Tabela 5.1 mostra os valores das diferenças entre as áreas antes e após o preparo pelos instrumentos rotatórios.

TABELA 5.1 – Valores da diferença entre as  áreas antes e após o preparo — em pixels —  pelos instrumentos rotatórios

dente

Gates

dente

Largo

dente

Orifice

dente

Coronal

1

5006

15

3206

29

2672

43

3777

2

1954

16

4871

30

1135

44

865

3

4632

17

3227

31

2715

45

3120

4

3461

18

1573

32

4276

46

3457

5

835

19

5816

33

260

47

3449

6

5927

20

4225

34

2110

48

2994

7

3539

21

2900

35

1673

49

1492

8

3982

22

7355

36

1144

50

5644

9

4561

23

7085

37

1200

51

1746

10

2694

24

3957

38

2572

52

4452

11

1357

25

4456

39

1808

53

3600

12

4269

26

4718

40

1975

54

3716

13

2333

27

3304

41

1821

55

2753

14

1324

28

3541

42

2071

56

4405

Os valores desta Tabela 5.1 foram submetidos aos testes de normalidade (Anexo 1) e de homogeneidade de Bartlett (Anexo 2). Verifica-se  que o conjunto amostral tem distribuição normal e homogênea o que levou à eleição de testes estatísticos paramétricos. Assim, procedeu-se à Análise de Variância – ANOVA (Anexo 3) que mostra significância ao nível de a > 0,05.

A Tabela 5.2 mostra as médias aritméticas (x ), os desvios padrões (ѕ) e os desvios das médias (xs) de cada grupo experimental.

Constatou-se que, em ordem decrescente de área estão os instrumentos: Largo, Gates-Glidden, Coronal e Orifice (Gráfico1).

 TABELA 5.2 - Médias aritméticas (x), desvios padrões(ѕ)  e erro padrão  da média (xs) dos grupos experimentais

Grupos

x

s

xs

Gates-Glidden

3276,71

1557,25

416,20

Largo

4302,43

1601,65

428,06

Orifice

1959,43

952,30

254,52

Coronal

3247,86

1258,21

336,27

 


GRAFICO 1 – Médias das áreas de desgaste de dentina obtidas pelos instrumentos em pixels

 

Com relação ao tipo de instrumento utilizado, o teste estatístico de Tukey (Anexo 4) com a=0,05 mostrou haver significância apenas para uma das combinações possíveis. A broca Largo apresentou aumento de área significativo em relação ao instrumento Profile® Orifice Shapers, conforme a Tabela 5.3

TABELA 5.3 – Diferenças entre as médias dos grupos experimentais e Teste  de Tukey com valor crítico P5 %  = 1374,2

instrumentos

Largo

Orifice

Coronal

Gates

 

Largo

 

Orifice

1025,72 ns

G<L

-------

 

-------

 

1317,28ns

G>O

2342,00s

L>O

--------

 

0028,85ns

G>C

1054,57ns

L>C

1288,43ns

O<C

                s = significante ; ns = não significante

Para melhor compreender a quantidade de desgaste dentinário provocada pelos instrumentos em cada espécime, uma tabela de valores percentuais foi montada a partir dos valores originais (Tabela 5.4).

 

TABELA 5.4 – Valores em porcentagem do desgaste total de dentina  promovido pelos instrumentos durante a instrumentação

dente

Gates

dente

Largo

dente

Orifice

dente

Coronal

1

55,93

15

46,36

29

31,20

43

55,67

2

18,91

16

63,87

30

9,51

44

13,11

3

90,18

17

36,22

31

37,58

45

47,82

4

48,64

18

23,02

32

73,60

46

38,84

5

10,55

19

82,75

33

2,83

47

48,08

6

84,45

20

39,32

34

31,45

48

36,04

7

52,84

21

45,91

35

23,15

49

17,39

8

55,97

22

121,25

36

14,40

50

88,62

9

57,84

23

101,58

37

14,13

51

24,73

10

27,32

24

77,16

38

59,18

52

67,92

11

16,69

25

51,67

39

24,01

53

65,40

12

78,68

26

58,87

40

58,70

54

42,90

13

32,54

27

57,45

41

31,44

55

34,36

14

16,75

28

55,34

42

35,20

56

69,25

média

46,25

média

61,48

média

31,88

média

46,44

  

Os valores desta Tabela 5.4 foram submetidos aos testes de normalidade (Anexo 5) e de homogeneidade de Bartlett (Anexo 6). Verifica-se que o conjunto amostral tem distribuição normal e homogênea o que levou à eleição de testes estatísticos paramétricos. Assim, procedeu-se a Análise de Variância – ANOVA (Anexo 7) que mostra significância ao nível de a > 0,05.

A Tabela 5.5 mostra as médias aritméticas (x ), os desvios padrões (ѕ) e os desvios das médias (xs) de cada grupo experimental.

 Constatou-se que, em ordem decrescente de área estão os instrumentos: Largo, Gates-Glidden, Coronal e Orifice (Gráfico 2).

 

  TABELA 5.5 - Médias aritméticas (x), desvios padrões(ѕ)  e erro padrão da média (xs) dos grupos experimentais percentuais

Grupos

x

s

xs

Gates-Glidden

46,45

26,25

7,01

Largo

61,48

26,49

7,07

Orifice

31,89

20,29

5,42

Coronal

46,44

21,41

5,72

 

 

GRAFICO 2 - Médias das áreas do desgaste de dentina obtida pelos instrumentos em percentuais

Com relação ao tipo de instrumento utilizado, o teste estatístico de Tukey ( Anexo 8) com a=0,05 mostrou haver significância apenas para uma das combinações possíveis. A broca Largo apresentou aumento de área significativo em relação ao instrumento Profile® Orifice Shapers, conforme a Tabela 5.6

 

TABELA 5.6 – Diferença entre as médias dos grupos experimentais em percentuais  e Teste de Tukey com valor crítico P5 %  = 23,89

instrumentos

Largo

Orifice

Coronal

Gates

 

Largo

 

Orifice

15,03 ns

G<L

-------

 

-------

 

14,56ns

G>O

29,59s

L>O

--------

 

0,01ns

G>C

15,04ns

L>C

14,55ns

O<C

                s = significante ; ns = não significante

 

 6. DISCUSSÃO

O tratamento endodôntico visa devolver o dente e os tecidos a ele subjacentes à sua condição de normalidade, é realizado em várias etapas dependentes e contínuas. Uma dessas fases consiste em uma intervenção denominada preparo químico-cirúrgico do canal radicular, e tem como objetivo a sanificação e a modelagem do sistema endodôntico.

A desinfecção é resultado de uma ação conjunta entre instrumentos e substâncias químicas auxiliares, e tem como proposta interferir de modo significativo no ecossistema representado pelo endodonto.Nos casos de polpa viva, esse procedimento tem caráter preventivo e, nos casos de polpa morta, deve agir tanto na cavidade original dos canais como na intimidade da dentina contaminada. Simultaneamente ao processo de desinfecção, realiza-se o processo de limpeza do sistema, completando a sanificação.

Para que esses objetivos de desinfecção, limpeza e modelagem do endodonto sejam atingidos, são necessários desgastes da parede dentinária. Isto porque deve-se transferir, à anatomia interna original, uma forma final da cavidade, que deverá ser cilindrico-cônica para permitir uma correta obturação.

Esse procedimento não é tão simples: exige, do profissional operador, destreza, informação sobre as variáveis que podem influenciar a ação do instrumento no interior do canal radicular, e conhecimento da anatomia dental, principalmente da anatomia interna do sistema de canais radiculares. Quando o profissional tenta alcançar tais objetivos, muitas vezes se depara com dificuldades, como a instrumentação de canais curvos, que merece uma melhor avaliação quanto à ação dos instrumentos. Como relatam Schneider (1971) e Walton (1976), que compararam a instrumentação de canais, os canais retos apresentam melhor circularidade que os canais curvos.

O preparo de canais curvos é bastante complexo porque seu trajeto sinuoso impõe ao instrumentos tensões e deformações que trazem conseqüências tanto para ele próprio como na obtenção da forma desejada no processo de modelagem do canal. Assim, a interação habilidade e destreza do profissional no manuseio eficiente e seguro do instrumento, e ainda o emprego de técnicas apropriadas com instrumental de alta qualidade tecnológica são fundamentais para que se alcance um bom e correto preparo químico-cirúrgico.

O mau emprego do instrumento impõe deformidades à parede do canal, conforme salientaram Ingle ( 1961 ); Schneider (1971) e Weine et al. (1975), que sugerem pré-curvatura do instrumento antes de seu uso. Da mesma maneira, Vessey (1969) comparou as ações de limagem e alargamento, demonstrando que, para se obter a secção circular, o movimento a ser aplicado é o de alargamento.

Outro problema que ocorre durante essa fase operatória é a perda da dimensão do comprimento de trabalho, especialmente nos canais curvos. A eliminação de interferências dentinárias e a retificação do trajeto sinuoso, muitas vezes modificam o comprimento real de trabalho, comprometendo a integridade das estruturas apicais caso o operador não esteja atento (Cadwell, 1976 ; Pesce et al., 1986).

Com o objetivo de obter melhores resultados na terapia de canais curvos, novos instrumentos, de melhores propriedades e maiores possibilidade de utilização, têm sido manufaturados. Os pesquisadores têm procurado ampliar algumas dessas características, tais como a flexibilidade e a resistência à torção das limas K-Flex; Flexofile e Trifile (Melo et al., 1988; 1992). Wildey & Senia (1989) desenvolveram um instrumento sem corte na extremidade para diminuir o desvio foraminal. Bastos Filho et al. (1990) e Al-Omari et al. (1992a;b) analisaram o grau de curvatura e a ocorrência de desvios em preparos realizados com as limas K, K-Flex, Flexofile, Unifile e Flex-R. Instrumentos mais flexíveis foram introduzidos, como aqueles de níquel titânio, conforme relatos de Branklin et al. (1993); Kersh et al. (1993); Royal & Donnely (1995); Tepel et al. (1995) e Wolcott & Himel (1997).

Paralelamente, novas técnicas de execução desse procedimento têm sido estudadas e testadas. Clem (1969) propõe a utilização de preparos escalonados ápicos-cervicais, e outros autores (Coffae & Brilliant, 1975; Walton, 1976; Alohed et al., 1989) confrontaram a instrumentação convencional e a instrumentação escalonada ápico-cervical.

Outras técnicas se valem do uso de aparelhos mecânicos como o observado nos ensaios de Jungmann et al. (1975);  Weine et al. ( 1976) e Spyropoulos et al. (1987) ao compararem técnicas de preparo manuais de limagem e alargamento  e, o uso do aparelho Giromatic; o sistema Canal Master (Leseberg & Montgomery, 1991; Mounce et al., 1993; Roig-Cayón et al., 1994; Saunders & Saunders, 1994); ou do Sistema Canal Finder - proposto em 1984 por Lévy -, que trabalha de maneira mais livre, mais rápida e mais fiel (Goldman et al., 1987; Petschelt, 1989; Gilles & del Rio, 1990; Campos & del Rio, 1990; Lévy, 1990; Myers & Montgomery, 1991 e Liguori, 1995).

Em 1980, Abou- Rass et al. propuseram um método anticurvatura, preconizando o desgaste compensatório por meio de preparos escalonados. Outros pesquisadores avaliaram a instrumentação convencional escalonada com outras técnicas, como Turek & Langeland (1982), que compararam o preparo telescópico com o Giromatic; Fava (1983), que propõe o duplo escalonamento; Taylor (1984), que realça a importância do escalonamento associado a uma boa obturação; Roane et al.(1985), que sugerem o emprego da força balanceada para minimizar os acidentes durante o preparo e Lim & Stock (1987), que relatam a diminuição do risco de perfuração que a técnica escalonada apresenta em relação à técnica anticurvatura.

Na constante busca por melhores preparos têm sido implementadas muitas alterações, principalmente quanto às técnicas e aos instrumentos utilizados, com ênfase às técnicas que adotam o sentido cérvico-apical de preparo e aos instrumentos rotatórios - brocas Gates-Glidden e Largo e instrumentos de níquel-titânio de conicidades variáveis (Machado, 1998).

No que se refere ao sentido da técnica, os preparos cérvico-apicais surgiram com a proposta de permitir maior dilatação do canal, sem contudo promover deformidades comprometedoras. Isto porque, além da desinfecção, é necessário modelar o canal para a realização de uma obturação adequada (Machado et al., 1982; Machado, 1993; Machado,1998; Machado et al., 1998).

No início, pelo desconhecimento e falta de domínio das técnica de uso de instrumentos rotatórios de grande calibre tais como as brocas Largo e Gates Glidden no interior do canal radicular, houve muita discussão acerca das possíveis conseqüências negativas que poderiam advir de sua utilização, tais como perfurações radiculares (Mullaney, 1979; Abou-Rass et al., 1982; Kessler et al., 1983; Lopes & Costa Filho, 1990) e superaquecimento radicular (Eriksson et al., 1982; Saunders & Saunders, 1989; Tjan & Abbate, 1993). Alguns autores propuseram sua utilização somente após o preparo do canal radicular com instrumentos manuais (Schilder,1974; Torabinejad,1994; Aragão & Garcia,1994), e outros somente no preparo da entrada dos canais (Goerig et al.,1982; Leeb, 1983; Lévy, 1987; Isom et al., 1995).

A utilização de técnicas adequadas, tais como a cérvico-apical preconizada por Machado et al. (1982) e Chan & Cheung(1996), permitiu que outras vantagens fossem atingidas, como: dilatação maior dos canais nos terços cervical, médio e apical (Wildey et al., 1992 ; Machado et al., 1998); menores deformidades durante os preparos (Daniel et al., 1996; Fernandes et al., 1998; Machado, 1998; Batista et al., 1998); diminuição ou ausência na extrusão de debrís pelo forame apical (Bolanos & Jensen, 1980; Ribeiro, 1997); melhor rendimento da limpeza do interior de canais circulares e achatados (Canzani,1984; Anton & Machado, 1996); retificações planejadas (Machado et al.,1998); comprovação do não aquecimento nas paredes dentinárias (Machado et al., 1997; Machado, 1997; Machado & Antoniazzi, 1999) e menor tempo de trabalho (Abou-Rass & Jastrab,1982) .

Finalmente, conclui-se que o uso destas brocas exige um bom treinamento, pois sua ação é limitada a movimentos suaves de vaivém e de alargamento. Ensaios demonstram que o emprego combinado destas brocas e instrumentos manuais apresenta um melhor desempenho que a a instrumentação manual (Daniel et al.,1996), pois o desgaste compensatório profundo permite uma ação mais íntima do instrumento nas paredes do canal .

Para aprimorar as técnicas mecanizadas, e obter melhor rendimento na modelagem, novos instrumentos - com ligas de níquel titânio e de conicidades variáveis - têm surgido no mercado. Estes instrumentos se propõem a substituir as brocas até então utilizadas, já que apresentam uma parte ativa maior, maior flexibilidade e, conseqüentemente, maior segurança quando da sua utilização. São instrumentos voltados aos sentido cérvico-apical e utilizados em movimentos de alargamento das regiões cervicais, médias e apicais. Os primeiros sistemas desse tipo que surgiram no mercado foram o Ligthspeed (Glosson et al., 1995; Poulsen et al., 1995); o Profile .04 série Taper 29 (Zmener & Banegas, 1996; Thompson & Dummer, 1997a,b; Lopes et al., 1997; Berger, 1997; Reddy & Hicks, 1998; Kavanagh & Lumley, 1998; Lumley, 1999). Os instrumentos utilizados no preparo dos terços cervical e médio apresentam conicidades 08 ou 07 e 06, sendo conhecidos por Pow-R Coronal Shapers e Profile® Orifice Shapers, respectivamente.

Estas alterações de conicidade são fundamentais para um bom rendimento das técnicas. A ponta do instrumento possui diâmetro ISO e, à medida que caminha para o cabo - diferentemente dos outros instrumentos que aumentam em uma proporção de 02 (Ingle, 1961) -, aumenta em uma proporção de 04, 06 e 07. Desta maneira, o corte na dentina não ocorre na ponta do instrumento, em um primeiro instante, e sim em um ponto mais distante e resistente, e a ponta livre e flexível tem a liberdade de penetrar nas curvaturas sem provocar a formação de degraus. Como a liga de níquel-titânio transmite aos instrumentos uma maior flexibilidade (Walia et al.,1988), a utilização destes sistemas deve ser realizada com motores elétricos, que permitem um controle adequado e preciso da velocidade e do torque, contribuindo para um desempenho melhor e mais seguro.

Dentre os inúmeros instrumentos rotatórios, duas séries podem ser utilizadas na grande maioria dos grupos dentais: os instrumentos Profile® Orifice Shapers de números 50, 55 e 60 e conicidade 07; os de números 20, 25 e 30 e conicidade 06; e os de números 20, 25 e 30 de conicidade 04; os instrumentos Pow-R Coronal Shapers de números 60 e 45 e conicidade 07, e de números 35 e 25 de conicidade 06. Como o presente experimento teve como proposta avaliar o corte em molares, foram utilizadas as séries de instrumentos propostas pelos fabricantes Maillefer e Moyco. Assim, os instrumentos Profile OS de maiores diâmetros não foram utilizados, por serem indicados para canais mais volumosos.

Pretendeu-se verificar a área de dentina removida quando do uso destes instrumentos rotatórios em raízes mesiais de molares superiores, comparando-a com aquela obtida pelas brocas Largo e Gates Glidden, já tradicionalmente utilizadas.

Dentre as metodologias utilizadas para o estudo do preparo dos canais, devem ser lembrados os trabalhos de Coffae & Brilliant (1975), que avaliaram o preparo por processamento histológico e microscopia de luz, e de Bolanos & Jensen (1980), que utilizaram a microscopia eletrônica. Outros autores valeram-se de canais simulados confeccionados de resina de poliéster, como Lim & Weber (1985); Alodeh et al. (1989); Machado (1993); Zmener & Banegas (1996); Thompson & Dummer (1997a); Machado (1998). Também tomadas radiográficas e fotográficas pré e pós-operatórias foram utilizadas para comparações diversas (Goldeman et al.,1987; Leseberg & Montgomey, 1991; Kersh et al., 1993; Saunders & Saunders, 1994; Roig-Cayón et al., 1994; Royal & Donnelly, 1995; Zmner & Banegas, 1996). Existem ainda pesquisadores que adotaram muflas, nas quais o dente ou o canal simulado era remontado após instrumentação, para análise (Bramante et al.,1987; Roig-Cayón et al., 1994; Isom et al., 1995; Pilo et al., 1998). E há aqueles que adotaram programas computadorizados para implementar as suas avaliações (Gullickson & Montgomery,1987 ; Biffi et al.,1992; Machado, 1993; Chan & Cheung, 1996; Thompson & Dummer,1997b; Machado, 1998), além da diafanização (Pesce et al., 1997).

O modelo experimental utilizado neste estudo valeu-se de dentes naturais, tendo sido selecionados os molares superiores, cujos canais mésio-vestibulares foram trabalhados. Esta escolha foi feita porque esse canal apresenta condições mais difíceis de trabalho, e é de fundamental importância verificar a relação de corte e desgaste em canais de pequeno calibre que apresentem curvaturas.

Além disso, para o presente experimento foram utilizadas radiografias digitais, avaliadas com o auxílio da computação gráfica. A propriedade observada foi a área dos terços cervicais e médios, antes e após o seu preparo com diferentes recursos rotatórios.

As tomadas radiográficas convencionais resultam da formação de uma imagem em preto e branco com muitas variantes de tons de cinza, que podem alterar a composição de uma figura - o que possibilita alterações nos bordos da imagem. Na imagem radiográfica estas distorções poderiam surgir durante os procedimentos de revelação e fixação das películas, influenciando os resultados de mensuração. Já o uso de raios-x e de radiografias digitais possibilitam a constante padronização, não só durante a tomada como também durante o processamento da imagem diretamente no computador.

Para que não houvesse cortes nas figuras - e, com isto, possíveis interferências -, foi idealizado um limitador de imagens. Para que todo o conteúdo ali apresentado fosse medido, este limitador incluía os terços escolhidos e possibilitava o mesmo posicionamento do dente em relação ao sensor, tanto antes como após o preparo.

A área foi obtida com o uso do programa ImageLab. Para melhor entendimento, as medidas computadorizadas foram apresentadas em pixels - que representam o número de pontos presentes na figura selecionada -, observando a proporcionalidade de desgaste verificada nas imagens tomadas antes e após o preparo. Este programa já foi adotado por Machado em 1998, e apresenta grande facilidade de utilização, rapidez, fidelidade e segurança àqueles que com ele operam.

Para o controle operacional foram padronizados operador, tempo de preparo e número de uso dos instrumentos.

Os resultados obtidos - e apresentados nas Tabelas Ap.1 e Ap.2 - correspondem às medidas originais das áreas limitadas dos canais no programa ImageLab no pré e pós preparo, respectivamente. Já a tabela 5.1 apresenta as diferenças de desgaste dentinário que foram submetidas a tratamento estatístico, tendo por análise a curva de normalidade uma distribuição normal (Anexo 1). O teste de homogeneidade de Bartlett apresentou-se apresentou resultados homogêneos, o que levou à eleição do teste paramétrico ANOVA (Anexo 3).

Ao comparar estatisticamente o resultado do desgaste de dentina nos 4 grupos, somente os instrumentos representaram fator de variação, constatando-se haver diferença significativa com a = 5% (Anexo 4).

No teste de Tukey - com a > 5% - para comparação dos espécimes dois a dois, verificou-se significância estatística entre o G2 e o G3, ou seja, as brocas Largo desgastaram significativamente mais do que o sistema Profile® Orifice Shapers, conforme Tabela 5.3.

Constatou-se que, em ordem crescente de valores, os grupos posicionaram-se da seguinte maneira: Profile® Orifice Shapers; Pow–R; Coronal Shapers; Gates-Glidden e finalmente Largo. As diferenças se encontraram nos grupos extremos, e foram estatisticamente significativas (Tabela 5.3 e Gráfico 1).

Para se estabelecer um melhor raciocínio, foram realizadas transformações dos valores numéricos de pixels para valores percentuais, pois os dentes naturais, mesmo que selecionados com bastante cuidado, apresentam variações de ordem anatômica interna, que se constituem dificuldades na prática clínica. Isto não ocorre em estudos realizados em canais simulados, que possuem diâmetros padronizados e permitem uma adequação aos diâmetros fixos dos instrumentos.

Foram também realizados cálculos de porcentagens de área, considerando o valor da área do canal em seus terços cervical e médio antes da realização do preparo igual a 100%. O valor obtido após o preparo do canal representou o diferencial, e resultou do aumento percentual da área do canal agora modelado - e, conseqüentemente, o quantum de dentina desgastada. Assim, os valores percentuais de desgaste de área dentinária foram: Gates–Gidden, 46%; Largo, 71%; Profile® OS, 31%; e Pow-R Coronal Shapers, 46%.

Dessa mesma maneira foram realizados testes estatísticos correspondentes aos valores absolutos em pixels, que mostraram a tendência já observada, qual seja, o maior desgaste o maior desgaste ocorreu com as brocas Largo, e somente houve diferença estatística entre essas brocas e o sistema Profile® Orifice Shapres. Vê- se, no Gráfico 2, que os instrumentos rotatórios realizam de maneira efetiva o desgaste da parede dentinária, marcadamente os Gates-Glidden, Pow_R Coronal Shapers e Largo, e, de forma pouco acentuada, o sistema Profile® Orifice Shapers, independentemente do tamanho (área) inicial do canal radicular. Cumpre lembrar que o modelo experimental utilizado neste estudo buscou efetuar as observações de acordo com o preconizado pelos fabricantes e seus pesquisadores. Daí a importância de compará-los, para que o profissional possa empregá-los de maneira compatível à anatomia original do canal radicular e sua prática clínica.

Com o intuito de fornecer uma informação adicional, a análise das tomadas radiográficas indica que todos os grupos apresentaram harmonia entre a forma final do preparo e a forma original do canal - isto é, antes do inicio da instrumentação. Entretanto, este estudo não permite que sejam estabelecidas conclusões quanto ao maior ou menor índice de deformidades resultantes do emprego de cada um dos instrumentos rotatórios.

Como nos preparos mecânicos as brocas Gates-Glidden e Largo são amplamente utilizadas, elas podem ser configuradas como referência, possibilitando comparações com os novos sistemas rotatórios Profile® Orifice Shapers e Pow-R Coronal Shapers dentro dos calibres apresentados - que, por serem instrumentos de niquel-titânio, apresentam propriedades de flexibilidade, tornando mais seguros os procedimentos de ampliação do canal.

  

7. CONCLUSÕES 

Diante dos resultados obtidos, e dentro das condições em que o presente experimento foi realizado, parece lícito concluir que:

a)     Todos os sistemas rotatórios promoveram aumento de área do canal, em seus terços cervical e médio;

b)     Os instrumentos Profile™ Orifice Shapers promoveram os menores desgastes de dentina (cerca de 32%), e as brocas Gates–Glidden e o sistema Pow- R apresentaram mesmo valor de desgaste - de 46%;

c)      O maior desgaste foi obtido pelas brocas Largo, com valor médio de 61%;

d)     Houve diferença estatisticamente significante quanto ao desgaste de dentina somente entre a instrumentação com as brocas Largo e os instrumentos Profile® Orifice Shapers.

 

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* INFORMAÇÕES:

Título: AVALIAÇÃO IN VITRO DO DESGASTE DENTINÁRIO DOS TERÇOS CERVICAL E MÉDIO PROMOVIDO PELA AÇÃO DE INSTRUMENTOS ROTATÓRIOS NO PREPARO QUÍMICO CIRÚRGICO DE CANAIS RADICULARES
Natureza:
Tese de Doutorado em Endodontia
Autor
: Maria Leticia Borges Britto de Lima Machado
Orientador: Porf. Dr. João Humberto Antoniazzi

Instituição : Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo

Contato: m.leticiabritto@

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