| ANATOMIA DENTÁRIA - ANOMALIAS | |
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Na maioria das vezes deparamos com uma reação do organismo no qual provoca uma alteração no meio como, por exemplo, as reabsorções e as calcificações, outras situações podemos encontrar anomalias de forma e/ ou de formação, no qual reflete diretamente no tratamento endodôntico por uma alteração em sua forma pulpar. Segundo Freitas (1992) as anomalias de forma são de causas diversas, podendo ser elas de origem hereditárias, congênitas (vida intra-uterina), adquiridas e idiopáticas, sendo estas, fatores etiológicos locais, bem como alterações sistêmicas e sinais manifestos de síndromes. Dentre elas destacaremos algumas: A) GEMINAÇÃO – um único germe dentário sofre uma divisão por invaginação , dando origem a um dente com coroa dupla e um única cavidade pulpar. Geralmente ocorre mais em dentição decídua. B) FUSÃO – também conhecida como sinodontia, dois germes dentários se unem formando um único dente com dupla coroa e duas cavidades pulpares separadas. A união pode ser parcial, onde a união é somente coronária ou total. Sua freqüência também é maior na dentição decídua. C) CONCRESCÊNCIA – ocorre a união pelo cemento de dois elementos dentários com coroa formada. Os 2os. e 3os. molares superiores são os mais envolvidos, com a falta de espaço citada como fator determinante. D) DENS INVAGINATUS – conhecida também como dens in dens ou dens in dentis, se trata de uma anomalia de morfodiferenciação, ocorre pela invaginação da porção externa do dente para o interior da cavidade pulpar.Sua incidência é maior em incisivos laterais superiores, seguidos dos centrais e caninos, muito raramente aparecem em dentes posteriores e dentição decídua. As invaginações podem envolver toda a porção radicular, situação que irá apresentar a região apical da cavidade pulpar afunilada. As paredes da invaginação apresentam locais de pouca espessura, com íntima relação com o tecido pulpar, o que predispõe a necroses pulpares e posteriores lesões periapicais. E) TAURODONTISMO – caracterizado pelo crescimento avultado da porção coronária da cavidade pulpar, em detrimento dos condutos. Clinicamente é difícil seu reconhecimento, o que pode ser verificado exclusivamente por radiografia, com aspecto retangular da cavidade pulpar. F) DILACERAÇÃO – apresenta grande desvio do longo eixo dentário, mais acentuado a nível radicular, mostrando-se um canal radicular extremamente curvo. Tal curvatura radicular complexa ou severa é resultante da deflexão do diafragma epitelial provocada pela cortical óssea do seio maxilar, ou canal mandibular, ou fossa nasal. G) DENTINOGÊNESE IMPERFEITA – Também conhecido como dentina opalescente hereditária. É acompanhada pela diminuição dos canalículos dentinários, havendo contínua formação de dentina irregular, devido a uma fraca união amelodentinária, os prismas de esmalte se destacam, ficando a dentina pouco resistente, sujeita à atrição. Costuma provocar obliteração das cavidades pulpares, com raízes curtas e coroas bulbosas, tais obliterações podem ser parciais, e o desgaste pode chegar até a região cervical. H) DISPLASIA DENTINÁRIA – é uma rara anomalia de malformação, podendo ser radicular, onde os dentes apresentam obliteração dos condutos antes da erupção, ou podem ser coronária, apresentando cavidade pulpar em forma de “chama de vela”. I) CALCIFICAÇÃO - as calcificações podem ser didaticamente divididas em verdadeiras e falsas. As primeiras são resultados da ação dos odontoblastos, que por algum estímulo, passam a depositar dentina, diminuindo ou modificando a forma e o volume da cavidade pulpar. Dentre os estímulos podemos citar a presença de cárie, abrasões e atrições, bruxismo e a ocorrência de traumatismos dentais. Neste último caso, pode-se verificar que a luz do canal pode apresentar-se totalmente obliterada na imagem radiográfica É importante salientar que dificilmente esta calcificação é completa, pois como vimos, ela é fruto da ação de odontoblastos, então deve existir pelo menos o espaço ocupado por ele. Isto explica por que em alguns casos, não visualizamos radiograficamente a luz do canal radicular mas o dente apresenta lesão apical. O que acontece, via de regra, é que a luz do canal é tão estreita que o nosso menor instrumento é muito volumoso para acessá-lo. A chamada calcificação falsa é resultado da deposição de sais de cálcio em áreas de microabscessos intra-pulpares. Formam-se verdadeiros nódulos no interior do conduto, que podem dar a impressão de que este está totalmente obliterado. Denominamos de falsos nódulos, pois eles não estão aderidos às paredes dentinárias. Estes nódulos estão relacionados à processos crônicos como patologias periapicais, cáries crônicas e até mesmo alterações vasculares sistêmicas, como por exemplo arteriosclerose. J) REABSORÇÕES INTERNAS - Alteram a forma da câmara pulpar e do canal radicular, aumentando o seu volume. O seu mecanismo de formação não é ainda bem conhecido, mas acredita-se que, devido a um processo inflamatório crônico, a polpa dental aumenta de volume, e este aumento faz com que ocorra a reabsorção da parede dentinária. Radiograficamente, verificamos uma área circunscrita no interior da raiz de dente, simétrica e que engloba o canal radicular. Para que ela ocorra, é necessário que tenhamos a polpa com vitalidade e seu tratamento consiste na extirpação deste tecido e no total preenchimento do conduto, o que talvez seja a parte mais difícil da terapia. Algumas vezes, no entanto, podemos nos deparar com um caso de reabsorção interna e polpa mortificada. Neste caso, houve a mortificação da polpa como conseqüência do processo inflamatório e a reabsorção também estará estacionada. Portanto se conclui que os canais radiculares geralmente reproduzem a forma exterior da raiz. Estas diferenciações podem ocorrer em qualquer dente, mesmo naqueles cuja aparência externa é normal. A forma e o número de canais são determinadas pelas paredes dentinárias presentes no seu interior. A idade influi na forma e no número de canais (Hess, 1925). Podendo ter variações de acordo com seu processo de formação.
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