ANATOMIA DENTÁRIA - GRUPOS DENTÁRIOS

MOLARES INFERIORES

a)  A) Primeiro Molar

É o maior dos molares inferiores e, em geral é o mais volumoso dos dentes humanos. Pentacuspidado, apresenta uma câmara coronária alargada no sentido vestíbulo-lingual, na qual não se nota o estrangulamento cervical característico. Por isso o canal radicular mostra-se de aspecto peculiar: alargado em quase toda a extensão, adelgaçando-se bruscamente no terço apical. As raízes mesial e distal possuem, freqüentemente, ilhota de dentina que divide o interior do canal (parcial ou totalmente) em dois canalículos estreitos.

No sentido mésio-distal o corte mostra uma câmara bastante larga, na qual se destacam dois cornos afilados, mesial e distal. De cada extremo da câmara partem os canais radiculares finos, comumente recurvos para um ou outro lado, mas que terminam quase sempre no mesmo ápice dentário.

Ambas as raízes apresentam sulcos longitudinais, sendo o da mesial o mais profundo. A raiz distal, muitas vezes é ligeiramente mais curta e mais reta em comparação com a mesial. A secção em corte é, de modo geral, oval, pronunciadamente achatada na direção mésio-distal, apresentando a forma de um rim. O ápice é geralmente afilado, truncado ou ligeiramente bifurcado. De acordo com Teixeira (1963), em 10% dos casos pode aparecer uma terceira raiz, a disto-lingual. A raiz distal reduz-se de tamanho e se desvia no sentido vestibular.

Os canais radiculares apresentam consideráveis variações quanto ao número e à forma. De Deus (1986), examinou 75 dentes e encontrou: 8% com 2 canais; 56% com três canais; 36% com quatro canais. Sendo o quarto canal localizado na raiz distal.

 

FIGURA 45 – Corte transversal do primeiro molar inferior, note o volumoso calibre do canal distal em relação aos canais mesiais 

Quando este dente possui dois canais radiculares, um é mesial e o outro é distal, eles são amplos e têm maior dimensão no sentido vestíbulo-lingual , acompanhando a forma da raiz.

b)  B) Segundo Molar


FIGURA 46 – Vista vestibular, distal, lingual e mesial do segundo molar inferior 

Este dente se assemelha muito ao primeiro molar inferior, embora com menores dimensões e apresentando-se com quatro cúspides. As raízes de um modo geral também se apresentam semelhantes com as do primeiro molar inferior quanto ao número, disposição, forma, inclinações e curvaturas. Comparativamente elas são menores, mais fracas e menos achatada no sentido mésio-distal. Estão ainda mais próximas uma da outra, com maior tendência ao fusionamento parcial ou total. As curvaturas e angulações são mais freqüentes.

FIGURA 47 – Vista vestibular de um segundo molar inferior, nota-se  um pequeno desvio na região apical da raiz distal

Pode apresentar também dois, três ou quatro canais com as mesmas disposições do primeiro molar inferior. De Deus (1986), examinando 80 dentes de indivíduos jovens encontrou: 16,2% com dois canais; 72,5% com três canais; 11,3% com quatro canais.

Com dois canais o dente apresenta um canal na raiz mesial e um na raiz distal. São amplos e com maior largura no sentido vestíbulo-lingual, acompanhando a forma da raiz.

FIGURA 48 - Corte sagital do segundo molar inferior mostrando os canais mesiais se encontrando vista proximal, e o amplo canal distal também numa vista proximal 

     C)  Terceiro Molar

FIGURA 59 – Vista vestibular e lingual do terceiro molar inferior com raízes altamente curvas 

Este dente possui características inconfundíveis, que se equiparam às do terceiro molar superior. Também aqui, falta a proporção geral entre câmara coronária e canais radiculares. A câmara varia de forma, segundo se trate de um dente tetra ou pentacuspidado. Neste caso verifica-se a presença de uma divisão do canal radicular mesial, formando um acentuado fundo de saco canalicular no terço apical da raiz. O fusionamento parcial ou total das raízes é freqüente, mas denunciando tratar-se de fusionamento de duas raízes típicas dos molares inferiores.. Uma terceira raiz pode ser encontrada, mas são raros os casos com maior número de raízes. A coroa tem um volume bem grande em relação ao tamanho das raízes.

Nos casos onde radiograficamente observa-se a continuação do canal porém não é possível introduzir o instrumento ao longo deste, deve-se permitir que a substância química aja por mais tempo, promovendo o esvaziamento. Finda a instrumentação, joga-se o instrumento contra o istmo entre os dois canais promovendo, desta forma a limpeza da região, utilizando-se a técnica da condensação lateral quando da obturação dos condutos.

O tratamento endodôntico está, portanto, em função de todas as variáveis anatômicas passíveis de serem encontradas. Dessa forma, a cirurgia de acesso não se limita apenas à remoção do teto, mas também se estende aos desgastes compensatórios, diminuindo assim a tensão de alavanca naturalmente aplicada aos instrumentos.

 


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