ANATOMIA DENTÁRIA - GRUPOS DENTÁRIOS

MOLARES SUPERIORES

Estes dentes apresentam uma morfologia sumamente variada e complexa, devido à presença de várias formações coronárias.

A) Primeiro molar


FIGURA 38 – Vista vestibular, distal, lingual e mesial do primeiro molar superior, nota-se a largura maior da raiz mesial em relação a raiz distal 

Apresenta 30% dos casos com 3 canais e 70% com 4 canais.

Suas três raízes são diferenciadas. É raríssimo apresentá-las fusionadas completamente. De Deus (1986), em 80 dentes examinados encontrou 95% com três raízes bem diferenciadas e 5% com raízes parcialmente fusionadas, ou melhor, com as três raízes não bem diferenciadas.

Este dente é o mais volumoso dos molares superiores. É tetracuspidado e trirradiculado. Suas raízes: MesioVestibular (MV), Disto vestibular (DV) e Palatina (P)) apresentam mais ou menos todas as alternativas descritas para os dentes uniradiculares. Entretanto, há características que predominam mais em uma raiz do que em outra. As três raízes originam-se de uma base comum e divergem consideravelmente.

A raiz MV possui maior diâmetro no sentido vestíbulo-lingual que a DV, e achatada no sentido mésio-distal. Vista mesialmente, tem a forma de um triângulo isósceles.

 Por vezes o ápice das raízes vestibulares se recurva em direção um ao outro. A direção absoluta pode ser retilínea, mas em mais da metade dos casos é regularmente curva, voltada no sentido distal e mais raramente no sentido mesial. A direção relativa, é em geral vertical, numa vista vestibular, e inclinada no sentido vestibular, numa vista proximal.

FIGURA 39 - Corte sagital do primeiro molar superior mostrando os canais vestibulares numa vista vestibular e o canal palatino numa vista lingual

A raiz DV tem quase a mesma forma da raiz MV , mas de proporções menores sobretudo na direção vestíbulo-lingual, portanto muito afilada. A direção absoluta apresenta curvaturas no sentido mesial, pode ser retilínea ou pode curvar-se no sentido distal, ou ainda apresentar, mais raramente, irregularidades de curvaturas em seu trajeto. Na direção relativa é quase sempre inclinada distalmente, numa vista vestibular e em uma observação distal inclina-se discretamente no sentido vestibular.

A raiz P é a mais resistente, maior e mais volumosa. Tem a forma cônica e em secção transversal apresenta-se como um círculo irregular ou oval. O ápice, em sua maioria apresenta-se truncado, podendo em alguns casos ser afilado. Pode ser retilíneo ou curvo. A curvatura se faz sempre no sentido vestibular, ou seja, de concavidade vestibular e mais raramente no sentido palatino. A inclinação é no sentido palatino, no sentido distal e mais raramente no sentido mesial.

Quanto à orientação, em geral, as raízes destes dentes são divergentes entre si mas podem ser paralelas, curvas ou não.

A cavidade pulpar é ampla e se apresenta mais ou menos, com a forma exterior do dente.

Os canais radiculares do primeiro molar superior têm sido esquematicamente designados em número de um para cada raiz. Porém na raiz MV a incidência do 4o canal, é relativamente grande.

A raiz mesial do molar superior tem características semelhantes às do incisivo inferior, pré-molar superior, raiz distal do molar inferior e, às vezes, canino inferior, raízes que, com o passar dos anos, sofrem achatamento podendo dividir-se ou não em duas em diferentes pontos. Pacientes idosos têm uma maior tendência a apresentar o 4o canal de fundo cego devido à calcificação.

O 4o canal pode desembocar no periodonto lateral ou no canal principal.

Há falha em se reconhecer a presença do 4o. canal, no qual muitas vezes este fica sem instrumentar e resultando assim em um tratamento inadequado, podendo futuramente produzir desconforto ao paciente e também o insucesso pós tratamento.

As raízes DV e P apresentam cada uma um único canal, o canal DV e o canal P. O canal DV é pouco acessível, apresentando quase sempre a forma de uma fenda e sua posição irá depender do formato externo da coroa dental. O canal P é amplo e acessível e o seu contorno é quase sempre circular, ou oval.

A câmara coronária é ampla, acompanhando a forma externa da coroa do dente. Ela se prolonga mais no sentido vestíbulo-lingual e é mais estreita e mais curta no mésio-distal. Em um corte vestíbulo-lingual nota-se que o corno vestibular é mais baixo que o lingual, e mais pontiagudo. Entre os dois cornos nota-se duas saliências de dentina, correspondente ao sulco longitudinal do dente. Do assoalho da câmara que tem o contorno mais ou menos semelhante ao da base das raízes, pode-se observar que as entradas dos canais estão em relação com o volume da câmara, verificando-se que o canal lingual é o mais amplo e de mais fácil acesso.

FIGURA 40 – Corte transversal do primeiro molar superior

b)  B) Segundo Molar

50% com 3 canais e 50% com 4 canais.

FIGURA 41 – Vista vestibular, mesial, lingual e distal de um segundo molar superior, nota-se grande alteração de toda sua anatomia dentária, a coroa apresenta uma terceira cúspide por lingual, e na raiz juncionamento nas raízes vestibulares, e aparecimento de uma raiz adicional por palatina

Se apresentam com 55% das raízes separadas, 10% com as raízes parcialmente fusionadas, 10% com raízes totalmente fusionadas e 25% com fusionamentos entre duas raízes, diferenciadas ou não.

FIGURA 42 - Corte sagital do segundo molar superior mostrando os canais verbilulares se dirigindo ao encontro um do outro ao ápice numa junção de raízes na vista vestibular, e canal palatino numa vista lingual

Pucci e Reig (1945), examinando 191 dentes, encontraram 53,7% com raízes separadas, diferenciadas, e classificaram os restantes 46,3% em quatro grupos de fusionamento de raízes.

As raízes e a câmara pulpar são semelhantes ao primeiro molar superior, porém de dimensões menores. A câmara pulpar apesar disto é ampla, mas possui variações da coroa.

Quando este dente se apresenta com três canais radiculares, terá um canal para cada raiz, que recebem o nome de: canal mésio-vestibular, canal disto-vestibular (o mais estreito) e canal palatino (o mais amplo). A forma e a direção dos canais são variadas, assemelhando-se às do primeiro molar superior.

Quando se apresenta com quatro canais radiculares, terá dois canais na raiz mésio-vestibular, um na raiz disto-vestibular e um na raiz palatina, assim como ocorre no primeiro molar. De Deus (1986), verificou que quando este dente se apresentava com dois canais na raiz mésio-vestibular, que: 18,3% possuíam dois canais diferenciados, com dois forames; 20,0% possuíam dois canais que se uniam ao nível  terço médio da raiz; 11,7% possuíam dois canais que se uniam ao nível apical da raiz mésio-vestibular.

 

FIGURA 43 – Corte transversal de um segundo molar superior

c)  C)  Terceiro Molar

FIGURA 44 – Vista vestibular, mesial, lingual e distal de um terceiro molar superior com três raízes 

Este dente, em virtude da sua morfologia, apresenta cavidades pulpares extremamente variáveis. A câmara coronária é pequena e os cornos pulpares acham-se mal delimitados. Os canais são largos e, geralmente, abrem-se em orifícios amplos. Todavia o que os caracteriza é a quase constante sinuosidade, à semelhança das raízes.

Os canais radiculares apresentam-se muito irregulares quanto ao número à forma, direção e volume.

 


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